terça-feira, 11 de março de 2014

Cara...eu penso demais... SACO isso!

Hoje é aniversário de alguém que fez parte do meu passado. Alguém por quem tenho carinho, nunca me faz nenhum mal. Mas pensar nela me faz lembrar de situações que vivi e que ainda não consegui superar plenamente.

Não sei se um dia vou conseguir olhar pra trás sem esse sentimento estranho no coração. Acho que já não é mais dor, não, definitivamente não é dor, pelo menos não mais dor física, como um dia cheguei a sentir, mas acho que minha alma ainda não conseguiu curar todos os ferimentos nela causados.

Sempre acreditei que perdoar não era uma dificuldade para mim. Mas perdoar uma briguinha, um tom de voz grosseiro, um relapso qualquer é algo bem diferente de ter que perdoar alguém que já foi a pessoa mais importante da sua vida e que essa mesma pessoa foi a que mais te feriu.

Não sei definir o que sinto no coração. Ao mesmo tempo que hoje, 5 anos depois, aquela história parece fazer parte da vida de outro alguém, essa história ainda vive em mim. Como se fosse um sonho, ou pesadelo, sei lá. Sei que não existe um dia da minha vida que eu não lembre e pense em tudo o que aconteceu, no quanto minha vida mudou e na luta que é diariamente para permanecer em pé.

Não estou querendo fazer drama e nem me colocar no papel de vítima, mas o trauma pelo qual passei, me causou sequelas que pesam até hoje. Sou uma sobrevivente de um golpe que destruiu tudo pelo qual lutei na vida pra ter. E me foi tirado igual band-aid, rápido e dolorido. Nem tive tempo pra dizer ou escolher se queria a ferida aberta. De repente lá estava o corte, sangrando, sem cuidados médicos, sem a magia do beijinho no dodói que minha mãe dava quando me machucava e fazia a dor passar em um estalar de dedos.

É, a vida me mostrou o quanto ela era cruel.

Minha infância não foi fácil, foi difícil, mas mesmo assim, a vida não havia me preparado para tamanho golpe.

O engraçado, é que quando eu estava na pior fase da minha vida, no fundo do poço, vi as pessoas que eu mais amava, que achava que sempre estariam ao meu lado, se afastarem de mim. E adivinha... eu precisava demais delas.

Acho que essas pessoas não fazem a mínima ideia do quanto ajudaram a abrir mais ainda a ferida, mesmo não sendo elas as causadoras do meu tormento. Mi vi, sem o alicerce da minha vida, sozinha, em um mundo que eu não mais conhecia. Onde eu estava? Não sabia mais.

Por alguns tempo rodei esse mundo em estado zumbi, sem direção, perdida, sangrando... tentava me agarrar na fé e esperança de qualquer um que se aproximasse de mim. Fui enganada, enrolada, manipulada... a coitadinha de mim! Sim, eu tinha pena de mim, não os outros. O que seria de mim? Não queria que fosse nada. Estava cansada da vida, de tudo e de todos. Desisti. Nada mais fazia sentido. Lutar? Pra quê?  Se luta quando se tem um objetivo. Qual agora era meu objetivo? Nem eu mais sabia. Onde arrumava outro? Um novo? Posso comprar? Onde?

O que me mantinha respirando eram os aparelhos, e o meu aparelho se chamava, meu filho.

Em um fio de sanidade que havia restado, ainda conseguia, mesmo que pouco, pensar nele e no quanto ele, ainda criança, precisava de mim. CARAMBA! Alguém nesse mundo precisa de mim? Sim. E foi nisso, que me agarrei. Foi o que me fez levantar e tentar andar novamente. Mas como é complicado reaprender a fazer algo que um dia se fez super bem. Tem sido sessões e mais sessões de terapia intensiva. Um dia de cada vez.

Hoje, ainda bem, larguei a cadeira de rodas, as muletas e ando de bengala. Sei que em um futuro breve, vou andar sozinha, sem ter que me apoiar em nada. Ainda posso correr uma maratona. E vou conseguir.

Entendi que essa vida é solitária e que não posso esperar dos outros o mesmo que faço e faria por elas. Não desejo pra ninguém o que passei e venho passando. Nem mesmo para aqueles que tanto mal me fizeram.

Apesar de ter passado um período revoltado com meu Pai Celestial, por não entender porque Ele me deixou passar por todas essas coisas, sei que Ele esteve ao meu lado o tempo todo e segura a minha mão todos os dias. Sem Ele, que me ama tanto, não estaria mais aqui para contar minha história. Devo tudo ao evangelho que deixou pra mim. É meu whey protein diário.O que me fortalece.

Curei as dores do corpo e estou em pleno tratamento intensivo para curar a alma. Mas esse dia há de chegar, eu sei, eu sinto, eu acredito, eu quero.

Construir uma nova vida, uma nova família, uma nova Camila não tem sido fácil pra mim. Muito pelo contrário. Me sinto sozinha nessa jornada. E tem vezes que duvido de mim mesmo. Será que consigo? Não sou boa em quase nada nessa vida, mas sou boa em guardar os mandamentos do Senhor e pra mim isso poucas vezes foi um problema. Escolher o certo pra mim é algo bom e prazeroso em fazer. Me dedicar cada vez mais nas coisas da igreja, no trabalho que o Pai reservou a mim, me faz pensar mais nos outros do que em mim mesmo e esse foi o tratamento que escolhi pra salvar minha alma, pra cura-la.

Claro que as vezes fico cansada, desanimada, choro... mas aprendi que tudo passa, tudo sempre pode melhorar. Problemas vão e vem, mas nos deixam aprendizados.

Um dia de cada vez, sempre.


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